Retinose Pigmentar

É uma doença hereditária da retina onde o epitelio pigmentar da retina e os fotorreceptores estão alterados causando uma alteração no campo visual e no eletrorretinograma.

A prevalência da doença é de 1: 5000 pessoas.

causa da raridade dessa doença a maioria dos médicos não tem experiência com pacientes de distrofias retinianas. O ideal é uma avaliação completa com um especialista em degenerações hereditárias da retina.

O diagnóstico correto pode ser dado ao paciente com uma informação detalhada sobre os padrões de herança, prognóstico e a possibilidade de tratamento.

A doença é um problema degenerativo crônico, e a maioria dos pacientes ficam muito bem por décadas. A cegueira total é um final infrequente, e o prognóstico deve ser individualizado para cada paciente. Um aconselhamento genetico é importante para os pacientes que desejam ter filhos.

O acompanhamento regular com o oftalmologista é importante para medir a progressão da doença e tratar complicações como catarata e edema macular cistóide que se acontecerem respondem bem ao tratamento.

A cegueira noturna é um dos principais sintomas da retinose pigmentar. O início dos sintomas ocorre em média na idade de 10 anos na forma autossômica recessiva e 23 anos na forma autossômica dominante.

Alguns suplementos vitamínicos foram estudados e podem ser recomendados como o palmitato de vitamina A (15 mil unidades/ dia) mas uso com cuidado em mulheres em idade fértil e pode ter efeitos colaterais como toxicidade ao fígado. Outro suplemento estudado é o ADH , um ácido graxo do tipo ômega 3.

É necessário proteção contra altos níveis de exposição à luz, usando óculos escuro com proteção ultravioleta e chapéu.

Estão havendo constantes avanços na terapêutica para a retinose pigmentar e em breve novas possibilidades terapêuticas irão surgir, entre elas a terapia gênica, próteses eletrônicas, entre outras.

 

Dra Jenniffer Laura Daltro Monteiro da Silva Loures
CRM MT 4305 
RQE 3406

Especialista em Oftalmologia pela Santa Casa de Belo Horizonte de Minas Gerais
Fellow em Retina e Vítreo Clínica e Cirúrgica pela Santa Casa de Belo Horizonte
Título de Especialista em Oftalmologia pela Associação Médica Brasileira e pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Membro da Academia Americana de Oftalmologia
Membro da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo
Preceptora Departamento de Retina e Vítreo Santa Casa de Belo Horizonte 2014-2015
Chefe do Departamento de Retina e Vítreo Centro Belorizontino de Oftalmologia desde 2013.
Membro do corpo clínico do Hospital Oculare de Oftalmologia
Site : www.drajennifferoftalmo.com.br
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Tratamento ocular quimioterápico com antiangiogênico permite prevenção da cegueira

Várias doenças retinianas têm o seu tratamento com drogas antiangiogênicas. Estas drogas têm em comum ser da classe dos antiangiogênicos, atuando na diminuição da inflamação intraocular e melhorando a visão em várias patologias.

Entre as doenças em que este tratamento é fundamental está a doença macular relacionada à idade exsudativa. Esta doença atinge, principalmente, idosos acima de 60 anos, brancos, de íris clara, tabagistas. Ela causa uma mancha na visão, que pode ser diminuída com o tratamento antiangiogênico. Outra doença que pode ser necessário o tratamento com antiangiogênico é a retinopatia diabética. Há uma melhora significativa da retinopatia após as injeções. A oclusão de veia central da retina e a oclusão de ramo de veia central da retina também são doenças que podem ser tratadas com os antiangiogênicos.

Como a droga age?

Ela age diminuindo a inflamação intraocular, bloqueando a atividade de um grupo de fatores conhecido como fator de crescimento endotelial vascular.

Como e realizada a aplicação?

A aplicação é realizada em ambiente hospitalar por um médico oftalmologista treinado, com uma agulha de insulina no vítreo do paciente através da esclera e anestesia local.

Qual é o tempo de tratamento?

Existem vários protocolos, a depender da doença a ser tratada. Na maioria das doenças são necessárias três doses de ataque, sendo cada uma mensal, e após estas 3 doses o paciente deve ser reavaliado por exame clínico de acuidade visual e tomografia de coerência óptica da mácula para ser analisada a necessidade de mais doses.

Quais são as drogas disponíveis no mercado?

As drogas antiangiogênicas disponíveis, hoje, no mercado são: avastin (bevacizumab), o lucentis (ranibizumab) e o eylia (aflibercept). Existem outras drogas em estudo que, num futuro próximo, estarão disponíveis para uso. Se o seu médico indicar o tratamento ocular quimioterápico, não precisa entrar em pânico. Apesar da ideia de uma injeção intraocular ser estranha, o procedimento realizado com o especialista é rápido e indolor. Se sua visão estiver embaçada, consulte um oftalmologista. Para todas as idades, um exame oftalmológico anual é indicado.

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Dra Jenniffer Laura Daltro Monteiro da Silva Loures
CRM MT 4305 
RQE 3406

Especialista em Oftalmologia pela Santa Casa de Belo Horizonte de Minas Gerais
Fellow em Retina e Vítreo Clínica e Cirúrgica pela Santa Casa de Belo Horizonte
Título de Especialista em Oftalmologia pela Associação Médica Brasileira e pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Membro da Academia Americana de Oftalmologia
Membro da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo
Preceptora Departamento de Retina e Vítreo Santa Casa de Belo Horizonte 2014-2015
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Retinopatia Hipertensiva

A hipertensão Arterial Sistêmica é caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial. A prevalência na população brasileira é de 30% da população.

O olho é um órgão alvo e tem a característica de permitir a observação direta das alterações microvasculares no exame oftalmológico.

A Retinopatia Hipertensiva ocorre quando a hipertensão arterial começa a provocar alterações nos vasos sanguíneos da retina. Em vários casos, o diagnóstico inicial de hipertensão arterial sistêmica pode ser feito pelo oftalmologista após exame de mapeamento de retina. Essas alterações nos vasos sanguíneos dos olhos podem começar muito antes do paciente apresentar qualquer sintoma da hipertensão arterial sistêmica.

Na Retinopatia Hipertensiva ocorre o estreitamento arteriolar difuso, hemorragia retiniana, lipídios intrarretinianos; pode ocorrer isquemia da camada de fibras nervosas da retina, alteração nos cruzamentos das arterias com veias, ingurgitamento venoso, macro aneurismas, oclusões venosas e arteriais.

Fatores de risco
Os principais fatores de risco para a retinopatia hipertensiva são idade acima de 60 anos com hipertensão arterial sistêmica descontrolada e raça negra.

Sintomas
Pode ocorrer piora da acuidade visual, dores de cabeça e maior sensibilidade à luz. Se não tratada em casos graves podem levar à cegueira.

Diagnóstico
O exame de mapeamento de retina e fundoscopia feito no exame oftalmológico de rotina são os principais meios diagnòsticos. Exames complementares podem ser indicados se houver o diagnóstico como retinografia colorida, angiofluoresceinografia, tomografia de coerência optica.

Prevenção
O controle da obesidade, dos níveis de colesterol, triglicerides, controle da diabetes, incentivo à atividade física são necessários para controle da pressão arterial e prevenção da retinopatia hipertensiva.

Tratamento
As consequências da retinopatia hipertensiva como o edema macular, oclusão venosa da retina, pode ser necessário injeção intra vítrea de antiangiogênico.

Cada caso deverá ser analisado particularmente pelo oftalmologista.

Recomendo exame oftalmológico anual para prevenção da retinopatia hipertensiva.

 

Dra Jenniffer Laura Daltro Monteiro da Silva Loures
CRM/MG 41729 – RQE/MG 32982
Oftalmologista

 
Residência Médica em Oftalmologia pela Santa Casa de Belo Horizonte de Minas Gerais
Fellow em Retina e Vítreo Clínica e Cirúrgica pela Santa Casa de Belo Horizonte de Minas Gerais
Título de Especialista e Oftalmologia pela Associação Médica Brasileira e pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Membro da Sociedade Brasileira de Retina E Vítreo
Preceptora da Residencia Médica de Oftalmologia Santa Casa de Belo Horizonte 2014-2015
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Moscas volantes

Moscas volantes são pequenos pontos escuros, manchas, filamentos,  círculos ou teias de aranha que parecem mover-se na frente de um ou ambos os olhos.

Elas ocorrem subitamente, inicialmente  o paciente acha tratar-se de algo fora do seu olho, mas com o tempo percebe que a alteração é dentro de sua própria visão.

As moscas volantes são mais fáceis de perceber ao olhar fixamente para uma parede branca .

Causas
Com o envelhecimento, o vítreo, um fluido gelatinoso que preenche o globo ocular , torna-se mais condensado em algumas partes , formando grumos.

As moscas volantes são estas condensações flutuando no vítreo dentro do olho. Ao passar na linha de visão as condensações (moscas volantes) bloqueiam a luz e lançam sombras na retina.

Grupos de risco
As moscas volantes ocorrem geralmente após 45 anos, em míopes, após cirurgia de catarata, após yag laser ou após inflamação dentro do olho (uveíte).

Tratamento
Se você tiver sintomas de moscas volantes procure um oftalmologista. Ele realizará o mapeamento de retina e uma ultrassonografia ocular para certificar se há rasgos na sua retina ou tração na retina.

Se houver rasgos na retina (degeneração periférica da retina) a fotocoagulação a laser será indicada. Se houver tração vítreo retiniana seu caso será estudado com possibilidade de cirurgia de  vitrectomia posterior.

Se não houver alterações na retina, você será acompanhado semestralmente. Com o passar do tempo as moscas volantes podem diminuir espontaneamente.

O risco maior é das moscas volantes rasgarem a retina e causar o descolamento de retina, que pode levar à cegueira. Por isso no caso de sintomas o  acompanhamento com um oftalmologista é necessário .

Dra Jenniffer Laura Daltro Monteiro da Silva Loures
CRM MT 4305
RQE 3406
Especialista em Oftalmologia pela Santa Casa de Belo Horizonte de Minas Gerais
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Coroidopatia Serosa Central: Doença ocular causada pelo estresse

Coroidopatia Serosa Central: Doença ocular causada pelo estresse

Coroidopatia serosa central é uma doença que deixa a visão de um dos olhos ou dos dois embaçada e distorcida. É uma doença intimamente ligada ao estresse. As pessoas mais acometidas são as ansiosas, com senso de urgência e competitividade. A maioria dos pacientes têm entre 25 e 45 anos. Acomete mais os homens. O fator psicossomático pode estar associado a situações estressantes como divórcio, enfermidade grave, falecimento de um ente querido, entre outras.

A coroidopatia serosa central provoca um descolamento seroso da retina na região da mácula (região mais importante da retina para a boa visão). Esse descolamento seroso é causado por uma espécie de vazamento de líquido dos vasos sanguíneos que estão com a permeabilidade alterada pela doença.

Como é feito o diagnóstico ?

O oftalmologista no exame de mapeamento de retina irá perceber um descolamento seroso da retina , que poderá ser confirmado pela angiofluoresceinografia e pela tomografia de coerência óptica.

A angiofluoresceinografia mostra o ponto de vazamento de líquido. A tomografia mostra o descolamento seroso da retina.

A coroidopatia serosa central pode vir de forma aguda, crônica ou recorrente. A aguda representa 80 a 90% dos casos. Se caracteriza por ser auto limitada e geralmente se resolve espontaneamente com mínimas sequelas. Arecorrente representa 15% dos casos , a serosa retorna os sinais e sintomas geralmente ainda no primeiro ano de apresentação da doença. A recorrência tem um pior prognóstico visual. A crônica é quando há persistência do líquido subretiniano por mais de 6 meses, também com pior prognóstico visual.

Quais são os tipos de tratamento ?

A fotocoagulaçao a laser é um dos tratamentos de escolha para a doença. A fotocoagulação a laser poder ser realizada com o laser sublimiar ou micropulsado. Ele é utilizado para selar pontos de vazamento de líquido e atua estimulando as células do epitélio pigmentado da retina.

Pode ser usado concomitante antagonistas dos mineralocorticoides como a espironolactona. Ela atua diminuindo a vasodilatação coroideana e diminuindo o descolamento seroso da retina. O uso de anti VEGF não tem evidência de melhora. Em 60% dos casos a acuidade visual retorna ao normal após tratamento.

O estresse

A prevenção do estresse é indicada para estes pacientes. Evite situações e ambientes estressantes e procure realizar atividades que promovam o relaxamento.

Caso você desconfie que está com a doença ou já tenha o diagnóstico e precise de tratamento, procure um oftalmologista o quanto antes. Somente o oftalmologista poderá orientar você e conduzir o tratamento adequadamente.

Dra Jenniffer Daltro
Médica oftalmologista
CRM MG 41729

Belo Horizonte: CBHO CENTRO BELORIZONTINO DE OFTALMOLOGIA
Rua São Paulo , 893, sala 907, Centro BH
31-32614298/ 31-41033006

Cheguei à Terceira Idade – posso continuar dirigindo ?

O Brasil consta com 12.217.332 motoristas ativos acima de 61 anos.

Para uma direção segura o motorista depende de 3 funções:

– A cognitiva : ligada ao raciocínio, concentração.

– A motora : movimentos, rapidez,  força,  agilidade.

– Sensório Preceptiva : tátil, visão,  audição e percepção.

Com a idade avançada, alguma destas três habilidades podem ficar comprometidas, impedindo ao idoso dirigir com segurança.

Do ponto de vista oftalmológico, 5 são as principais doenças que podem afetar o idoso: catarata, glaucoma, doença macular relacionada à idade, retinopatia diabética e retinopatia hipertensiva. Vamos discutir cada uma separadamente para enfocarmos em cuidados preventivos para evitar as consequências destas patologias.

– Catarata :

Segundo a Organização Mundial de Saude 50% das pessoas entre 65 e 74 anos têm catarata, o número aumenta para 75% para os acima de 75 anos .

Esta patologia é a principal causa de cegueira tratável nos países em desenvolvimento . As dificuldades visuais provenientes da catarata têm potencial de interferir na realização de algumas atividades e pode levar à diminuição da acuidade visual, aumentando os riscos de acidente de trânsito. A opacificação do cristalino pode diminuir a sensibilidade ao contraste e redução do campo visual. Motoristas com catarata tem risco 2,5 vezes maior de se envolver em acidentes de trânsito pelos estudos .

A cirugia de catarata é a solução desta patologia .

– Glaucoma :

O glaucoma é uma doença do nervo óptico, em que ocorre perda de fibras retinianas periféricas e consequentemente vai gradativamente diminuindo o campo visual do indivíduo.

A diminuição visual periférica limita a percepção visual, causando prejuízo à direção veicular.

O glaucoma é a principal causa de diminuição do campo visual em idosos.

A doença quando diagnosticada precocemente é tratada tem um bom controle não havendo perda do campo visual e podendo manter a direção de veículos.

A descoberta prematura da doença possibilita que o oftalmologista indique um tratamento apropriado, desacelerando a progressão da doença.

Sinais tardios que podem ocorrer no glaucoma : perda da visão lateral, turvação visual, dor aguda nos olhos.

O ideal é que a doença seja diagnosticada antes de qualquer sintoma, pois os sintomas só ocorrem tardiamente.

– Degeneração Macular Relacionada à Idade :

Trata – se de uma doença degenerativa que afeta a visão central em indivíduos maiores de 50 anos de idade.

Os sintomas mais comuns são : embaçamento da visão central, distorção da imagem, visão reduzida, mancha central e por ultimo perda da visão.

Para prevenir o problema é recomendável não fumar, evitar grande exposição ao sol e adotar uma dieta saudável rica em omega 3, vitamina C, ferro , zinco, fazer atividade física, controlar a pressão arterial e o peso.

– Retinopatia Diabética :

A diabetes é uma doença que afeta 7% da população brasileira.

Entre os diabéticos, tipo 1 e tipo 2, todos estão sujeitos a adquirir a retinopatia diabética se não houver um bom controle glicêmico com o decorrer dos anos de diabetes.

Para evitar a retinopatia diabética é essencial além do bom controle glicêmico evitar picos de altas ou baixas glicemias.

Para um bom controle oftalmológico, o exame de mapeamento de retina anualmente é essencial.

Se detectada a doença ela deve ser tratada. A fotocoagulação a laser da retina diminui a quantidade necessária de oferta de oxigênio da retina diminuindo a chance de neovascularização da retina que já corresponde a um estágio mais avançado da doença.

Se houver edema macular ( acúmulo de líquido no centro da retina ) existe o tratamento com injeções intra vítreas de antiangiogenico ou corticosteróides. A retinopatia diabética sem tratamento pode levar a diminuição da acuidade visual e até a cegueira.

– Retinopatia hipertensiva :

A hipertensão arterial sistêmica pode levar a retinopatia hipertensiva. Ocorre uma tortuosidade dos vasos da retina e isso pode gerar uma oclusão venosa da retina, diminuindo consequentemente a acuidade visual do olho acometido.

A oclusão venosa da retina pode ser tratada por fotocoagulação a laser, injeção intra vítrea de antiangiogenico ou de corticoesteróides. A melhora da acuidade visual depende de um diagnóstico e tratamento precoce e da região acometida pela oclusão.

Para evitar a retinopatia hipertensiva, o hipertenso deve ter um bom controle pressórico , uma dieta balanceada e atividade física regular .

Concluindo, se você chegou à terceira idade e mantém os cuidados necessários com a saúde do corpo e ocular é possível continuar dirigindo enquanto as suas funções cognitivas, motoras e sensório perceptivas estiverem preservadas. Para isso uma dieta balanceada, controle glicêmico e pressórico, atividade física regular e uso de óculos de sol irão contribuir para manter as condições físicas adequadas para dirigir um veículo por muitos anos.

 

Dra Jenniffer Daltro
Médica oftalmologista
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Presbiopia : Vista cansada

A maioria das pessoas após os 40 anos não consegue mais enxergar objetos mais próximos com a mesma nitidez que quando era jovem. Esta dificuldade é devido a presbiopia , comumente chamada de vista cansada, causada pela perda da elasticidade e poder de acomodação do cristalino (lente natural dos olhos).

Se a presbiopia ocorrer em indivíduos com idade menor de 40 anos algumas doenças devem ser investigadas , como a anemia , doença cardiovascular, diabetes , miastenia gravis, entre outras .

Os sintomas mais comuns são : dor de cabeça após leitura , dificuldade em ler letras pequenas , necessidade de maior iluminação para leitura , necessidade de afastar o material de leitura para ter foco , fechar os olhos para melhorar o foco.

A presbiopia pode ser tratada com lentes corretivas ( óculos ) , lentes de contato ou cirurgia.

Retinopatia diabética

  1. Como o diabetes pode prejudicar a visão?

Se você tem diabetes, seu corpo não utiliza nem armazena o açúcar de maneira adequada. Isso pode lesar os vasos sanguíneos da retina e levar à retinopatia diabética e cegueira.

  1. Quais são as chances de um diabético desenvolver a doença?

Acomete 98% dos diabéticos tipo 1 com mais de 15 anos de doença e 60% dos diabéticos tipo 2.

  1. Quais são os tipos de retinopatia diabética?

Existem dois tipos de retinopatia diabética: a retinopatia diabética não proliferativa e a retinopatia diabética proliferativa.

  1. Qual a diferença entre elas?

A Retinopatia diabética não proliferativa é uma etapa inicial da retinopatia diabética. Minúsculos vasos sanguíneos dentro da retina vazam sangue ou fluido. Isso faz a retina inchar (edema) ou formar depósitos chamados exsudatos.

O edema macular é um acúmulo de líquido no centro da retina. É a causa mais comum de perda visual por diabetes.

A retinopatia diabética proliferativa é provocada por um amplo fechamento dos vasos sanguíneos da retina, impedindo um fluxo sanguíneo adequado. Quando isso acontece a retina responde gerando novos vasos sanguíneos  (neovascularização) numa tentativa de fornecer sangue à área onde os vasos originais se fecharam. Infelizmente, os novos vasos não reabastecem o fluxo normal de sangue, e muitas vezes são acompanhados de tecido cicatricial que pode provocar descolamento da retina.

  1. Como a retinopatia diabética leva a perda de visão?

A retinopatia diabética pode levar à hemorragia vítrea.

Os vasos novos e frágeis podem sangrar para dentro do vítreo, uma substância transparente, parecida com uma geléia que reveste o centro do olho.

Pode também causar descolamento de retina tracional. O tecido cicatricial associado a neovascularização pode puxar a retina para fora de sua posição normal.

Outra complicação é o  glaucoma neovascular, obstruindo o fluxo normal de fluido que sai do olho.

  1. Como é feito o diagnóstico de retinopatia diabética?

Apenas pelo exame oftalmológico é possível este diagnóstico. O exame de fundoscopia e mapeamento de retina ( com as pupilas dilatadas) são necessários para o diagnóstico.

Para acompanhamento e para guiar o tratamento do paciente a angiofluoresceinografia é necessária. Este exame consta de fotografias coloridas da retina com um contraste venoso.

  1. Como é o tratamento da retinopatia diabética?

O melhor tratamento é a prevenção. Para isso a glicemia deve ser rigorosamente controlada e o paciente diabético deve realizar consulta oftalmológica anual. O controle do colesterol e dos triglicerídeos diminui a progressão da doença.

A fotocoagulação a laser é o tratamento padrão. O laser permite melhor perfusão da retina, melhor difusão do oxigênio e diminui a produção de substâncias vasoproliferativas.

A vitrectomia posterior é a cirurgia indicada nos casos de hemorragia vítrea e decolamento de retina.

Injeção intravítrea de antiangiogênico ( lucentis / eylia) ,

implante intravítreo de dexametasona ( ozurdex) e injeção intravítrea de triancinolona são opções para o tratamento do edema macular. O oftalmologista indicará o tratamento individualizado conforme a necessidade de cada paciente.

  1. A perda da visão é evitável?

Sim. É necessário um exame oftalmológico anual dos portadores de diabetes. Se for detectada a doença, exames mais frequentes são necessários, conforme orientação do ofttalmologista.

Gestantes diabéticas devem realizar exame oftalmológico no primeiro trimestre da gravidez.

 

Artigo publicado na  Revista Saúde | 9ª Edição |  Fevereiro de 2017.

 

Doença Macular Relacionada à Idade

Ocorre geralmente depois dos 60 anos de idade e afeta a área central da retina (mácula), que se degenerou com a idade. A DMRI ( doença macular relacionada à idade) acarreta baixa visão central (mancha central) dificultando principalmente a leitura.¹

Diversos fatores podem estar associados ou serem creditados como favorecedores ao aparecimento da degeneração macular. Pele clara e olhos azuis ou verdes, exposição excessiva à radiação solar, tabagismo e dieta rica em gorduras são fatores que correspondem à maior incidência de degeneração macular relacionada à idade.²

Em 90% dos pacientes acometidos é observada a forma denominada de DMRI seca . Os 10% restantes apresentam a forma exsudativa (caracterizada pelo desenvolvimento de vasos sanguíneos anormais sob a retina (Membrana Neovascular Subretiniana). A forma exsudativa é a principal responsável pela devastadora perda visual central referida à degeneração macular.²

A prevenção e o tratamento da DMRI são realizados por meio de vitaminas, antioxidantes e óculos escuros ou claros com proteção UVA e UVB. Uma dieta rica em vegetais de folhas verdes e pobre em gorduras é benéfica na prevenção à DMRI. Como já mencionado, o tabagismo aumenta a incidência da Degeneração Macular², portanto deve ser evitado.

Os danos à visão central são irreversíveis, mas a detecção precoce e os cuidados podem ajudar a controlar alguns dos efeitos da doença.

A doença macular relacionada à idade exsudativa tem como tratamento a aplicação intravítrea de medicamentos anti VEGF ( avastin, lucentis, eylia).

Essas medicações reduzem o tamanho final da cicatriz , diminuem o fluido subretiniano e melhoram a acuidade visual final do paciente.

Confira abaixo um exemplo de visão com Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), comparada à visão normal.

Autoavaliação da mácula

A autoavaliação da mácula é realizada através do uso da Tela de Amsler. Para isso, siga os passos a seguir.

  • Coloque os óculos para perto, caso use.
  • Feche o olho esquerdo com a palma da mão.
  • Olhe na tela com o olho direito e fixe o olhar no ponto central. Verifique se as grades estão tortas, se há mancha ou se falta uma parte da tela.

  • Repita o teste tampando o olho direito e mantendo o esquerdo aberto.
  • As imagens abaixo representam a visão que um portador de alteração na mácula terá da Tela de Amsler. Caso você veja algo semelhante a essas imagens, consulte seu oftalmologista.

Referências

1 – Kara-José N; Oliveira RC: Olhos. São Paulo: Contexto,2001. (Coleção Conhecer & Enfrentar).
2 – Ávila M.;Isaac DLG: Terapia Fotodinâmica em DMRI. In: Universo Visual. Disponível em: http://www.universovisual.com.br/publisher/preview.php?edicao=0203&id_mat=22